• J. Robson J.

E assim segue a humanidade


conto de distopia de J. Robson J.

Tempos difíceis aqueles. A Terceira Guerra Mundial acabara com tudo e o Mundo não era mais como eu havia conhecido. A guerra começara entre poucos países e se espalhara por todo o planeta. No início, apenas armas convencionais e, de repente, armas nucleares. Países como Estados Unidos, Rússia, China, Coréia do Norte e sabe lá Deus quantos mais despejaram seu arsenal nuclear e se acabaram mutuamente. A guerra nuclear começou e a guerra acabou! Era o fim dos tempos, o fim do homem na Terra?


O sol se escondeu! A escuridão e o medo se instalaram. Nos anos que se seguiram, a fome matou milhões de pessoas e o câncer outros milhões, tudo estava contaminado pela poeira venenosa e a população ia se acabando. Quando a guerra começou, muitos se esconderam nas montanhas, nas cavernas, nas matas, mas se as bombas não os alcançaram, o veneno, a fome e as doenças sim. Menos de um por cento da população mundial sobrevivera e eu era um deles.


Porque e como sobrevivi? Eu não sei! Eu fugi para o mato com a família e logo mais pessoas se juntaram a nós. Comemos raízes, plantas e até insetos. Água? Só utilizava de poços, cavados bem fundo. As águas dos rios estavam contaminadas e a água da chuva mais ainda. A fome apertava e, sem alternativas, comemos animais envenenados. Sentíamos tristeza, frio, fome e medo. Era perigoso ir às ruínas das poucas cidades que ainda existiam. Muito se ouvia de estupros, assassinatos e canibalismo, era um mundo sem lei. Os poucos sobreviventes acreditavam que o Homem aprendera a lição e que o pesadelo das armas nucleares ficara enterrado e esquecido no passado.


Dez anos de escuridão e agora o sol volta a aparecer. As pessoas começam a se reunir em comunidades, criam novas cidades. Pequenas cidades, mas é um começo. Vinte anos se passaram, já é possível comer o que se planta e ter criações e as pessoas fazem trocas, galinhas por porcos, laranjas, milho, mandioca e etc..


Quarenta anos depois. Minha filha já tem seus filhos e as cidades já estão formadas, mas tudo muito desorganizado, precisam de governos para arrumar a bagunça e necessitam de polícia. As crianças resgataram as brincadeiras do passado e até inventaram um brinquedo chamado revólver, e o mais sofisticado recebeu o nome de fuzil. Alguém, muito inteligente, havia inventado um negócio chamado dinheiro e não precisava mais de escambo. O problema era que o dinheiro bagunçava demais o comportamento das pessoas e até mesmo governantes se envolviam em confusões com o tal do dinheiro, surgiu a corrupção!


Cinquenta anos após, e em algumas cidades havia ervas que deixavam as pessoas alucinadas. Cada coisa que se inventa! Já não basta o veneno chamado de bebida alcoólica? Já existiam fábricas diversas e certo conforto começava a acontecer. O problema era que algumas cidades eram mais desenvolvidas que outras, então, uma grande ideia! Cada cidade teria seu próprio exército, somente para se proteger, é claro. Mas as cidades melhores possuíam exércitos maiores e melhores. Então, outra grande ideia! As cidades com grandes exércitos poderiam invadir as menores e dominar. As cidades pequenas entenderam que só as armas mais sofisticadas compensariam o fato de terem exércitos menores e investiram em pesquisa e criaram armas fantásticas.


E agora, sessenta e cinco anos depois da grande guerra, estou com cem anos e acabo de ouvir a notícia de que especialistas de uma determinada cidade criaram uma arma nuclear! Não sei bem o que é isso, mas eles disseram que criaram apenas com o objetivo de se defender, é lógico!

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