• J. Robson J.

O Alienígena


São três da manhã e acordo com um barulho no meu quintal. Vou até a cozinha, olho pela janela e não vejo nada de anormal. Abro a porta, saio e, incrível, há uma nave espacial, parada e flutuando e o barulho do motor é muito suave. Eu dou dois passos em sua direção e posso ver melhor, redonda, no melhor estilo disco voador. Me aproximo um pouco mais e vejo que em volta dela existem milhares de pequenas lâmpadas. Estou agora a menos de um metro de distância e penso em tocar. Será que é feita de metal igual ao nosso?


Uma pequena porta se abre e dou um pulo para trás. Inimaginável! Sai um homenzinho, talvez um metro de altura, olha para mim e me dá um sorriso tranquilo, estava em paz e tive certeza que não me atacaria. Era engraçadinho, cabeça muito grande, careca e de onde saíam quatro pequenos chifres. Orelhas redondas e olhos muito grandes. Mas, o mais esquisito eram os quatro braços. Dois em cada lado e com tamanhos diferentes! Apesar do susto, não corri e ele me disse:


— Boa noite! Me desculpe se te acordei.


Incrível, fala a minha língua!


— Boa noite! Tudo bem, mas...


— Sim! É isso mesmo que você está pensando, eu sou alienígena, é assim que vocês chamam aqueles que não são do seu planeta, certo?


— S-Sim.


— Fique tranquilo, vim em paz e já estou indo embora, nunca mais quero voltar à este planeta.


— Mas, de onde o senhor é?


— De muito longe! De uma distância que não pode ser quantificada em seu planeta.


— Mas, então, realmente existe vida além do planeta terra?


O pequeno ser caiu na gargalhada.


— É claro que sim. Vocês não achavam que eram únicos no universo, não é?


— Sim. Nós achávamos.


— Mas, o universo é tão grande! Não acha que é muita pretensão pensar que tudo isso é somente para vocês?


— Sim, mas nunca havíamos encontrado algum de vocês.


— E só por que nunca viu, significa que não existe?


— É talvez tenha razão, mas o que está fazendo aqui na terra?


— Eu saí de meu planeta para conhecer outros mundos, visitei uns cinquenta, mas não gostei de nenhum deles. Um tinha monstros gigantes, outro não tinha o que comer, não tinha plantações, criações, só rocha e areia. Em outro, faltava água e de dentro do solo surgiam bolas de fogo. E assim eu fui visitando mundos até que cheguei aqui, planeta perfeito, maravilhoso, mar, rios, represas, belas cachoeiras, belas florestas, criações, plantações, sem monstros gigantes, enfim, perfeito.


— Mas, o senhor disse que não volta nunca mais. Se meu planeta é perfeito, porque está indo embora para não mais voltar? O que há de errado com o planeta Terra?


— Tem seres humanos que são piores que monstros, fome, bolas de fogo e tempestades. Vocês são violentos, maldosos, cruéis, não respeitam a si próprios, se agridem e se matam por tudo e por nada, não cuidam de seu planeta e seus governantes são corruptos e governam para eles mesmos. Como viver assim? E ainda me pergunta o que é que há de errado com vocês?


Ele virou as costas e entrou na nave. Milhares de pequenas luzes se acenderam e um suave ronco do motor levou a nave para o céu. E eu me arrependi, devia ter pedido para ele me levar.

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