• J. Robson J.

O galo do seu Francisco


o galo do seu francisco

Eita galo porreta e... chato... que o Seu Francisco tem. Juca é o nome dele. Às cinco da madruga o distinto canta embaixo da minha janela e sei que canta ali só para me irritar, sei disso.

Mas, tanto faz cantar ali ou do outro lado da casa que o estrago é o mesmo. Quando canta, acorda a rua inteira, aliás, o bairro inteiro... talvez toda a cidade. Eita galo chato.

Até joguei fora o meu despertador, não precisava dele. O Juca ia me acordar mesmo.

E o seu Francisco adorava o Juca, conversava com ele o dia inteiro. É Juca pra lá, é Juca pra cá. É amorzinho do papai, o Juca fez isso, o Juca faz aquilo...


E às cinco da madrugada de um belo domingo, o Juca me acorda, será que não sabe que é domingo? E não sabe que enchi a cara ontem? Queria tanto dormir até tarde...

E o Juca não é fraco não, gatos nem sonham em pular no quintal do seu Francisco, o Juca está lá... e quando o Juca sai pra dar uma volta na rua nem a cachorrada chega perto. Quem vai ter coragem de enfrentar o danado?


E não é que um dia o Juca sumiu?


Procura daqui, procura dali e nada... o Juca sumiu! Seu Francisco se desesperou e na hora do almoço imaginei que o infeliz do Juca estivesse na panela de alguém.


Nos dias que se seguiram foi um caos total... perdi a hora vários dias, cadê meu despertador? Cadê o Juca? Cansado de me atrasar no serviço, saí para comprar outro despertador. Era elétrico, a energia acabou e perdi a hora de novo. Saudades do Juca. Vizinhos perderam a condução e um perdeu o emprego de tanto se atrasar, todo mundo nervoso e teve até briga, tudo porque o Juca sumiu.


A rua se encheu de baratas, soltas, felizes, cantarolando e dando piruetas de alegria porque o Juca não estava mais ali.


A rua se encheu de ratos, que antes não apareciam e que agora faziam festa e até tomavam espumante com os gatos, tudo porque o Juca sumiu.


Teve um gato que passeou pela rua tocando corneta de tanta alegria e outros invadiram o quintal do Seu Francisco, brigavam durante o dia e faziam amor à noite.


Confusão total, tudo porque o galo do Seu Francisco sumiu.

O caos se instalou e Seu Francisco, desesperado, queria saber, eu queria saber, a vizinhança inteira queria saber onde estava o Juca e todos os moradores da rua saíram à procura dele, mas uns queriam procurar pra lá, outros queriam procurar pra cá, ninguém se entendia, iniciou-se uma discussão, aumentou para briga e, de repente, a confusão estava generalizada.

Tudo porque o galo do Seu Francisco havia sumido.

Foi criada uma comissão para procurar o galo, chamaram a polícia militar, a polícia federal, o bispo, o exército e a aeronáutica. Cadê o Juca? Ninguém sabia.

O fim do mundo parecia próximo, afinal, o galo do seu Francisco sumiu.

E, de repente, em uma bela manhã de sol... reaparece o Juca... caminhando pela rua com o queixo erguido e o peito empinado.

A população saiu às ruas pulando de alegria, ratos debandaram, baratas voaram para os esgotos de tanto medo que sentiam e anunciaram para toda comunidade Baratinense ter cuidado, pois o Juca havia voltado!


Seu Francisco agradecia aos céus e sorria feliz. Olhei para o despertador e o tirei da tomada com um riso sarcástico. O Juca voltou.

E, na manhã seguinte, feriado, às cinco da manhã o Juca cantou... como nunca cantara antes.

Eu acordei, a rua inteira acordou, o bairro acordou, talvez até a cidade inteira tenha acordado e ninguém reclamou, suspiraram aliviados, o galo do Seu Francisco, finalmente voltou.

Igual a todos, suspirei, sentei na cama com sono... bocejei e levantei. Já tinha acordado mesmo. Viva o galo do Seu Francisco, graças a Deus ele voltou.

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