• J. Robson J.

Ah, que saudades dos bons tempos!



Eu me lembro daqueles bons tempos!

Assim que saía da escola, corria para o campinho perto de casa para jogar bola ou empinar pipa. Campinho de terra e de sonhos. Próximo a ele um belo matagal, onde o que não faltava era espaço para a molecada gastar energia e deixar fluir sua imaginação. E o bambuzal então? Como era bonito. Ah, como era bom.


Nos finais de semana as brincadeiras dançantes nas casas de família, inimagináveis nos dias de hoje. Colocava-se a melhor calça (com boca de sino), a melhor camisa (normalmente havia só uma para passear), penteava três vezes o cabelo com o pente flamengo (por onde andará? Será que ainda existe?) e saía em direção à festa sonhando em conseguir um beijo da menina que tinha aquele sorriso tão bonito. Chegando lá, já rolava a música Don´t let me be misunderstood da inesquecível banda Americana Santa Esmeralda... ah, que saudades!


O som rolava na velha e boa Sonata onde os saudosos LPs tocavam alegrando a festa. Eu aguardava ansioso as músicas lentas para tirar a menina do belo sorriso para dançar. O que dizer de uma dança ao som do Hyldon tocando as inesquecíveis Na sombra de uma árvore, As dores do mundo e Na rua, na chuva e na fazenda (que mais tarde o Kid Abelha gravou com a maravilhosa voz da Paula Toller)? E como esquecer as músicas Italianas Torneró, Dio come ti amo e Non Ho L`eta? Com uma seleção dessas, não tinha como não ganhar um beijo da linda menina e voltar “flutuando” de tanta felicidade para casa. Que bons tempos!


Como não sentir saudades de uma época em que ninguém colocava cercas elétricas, câmeras, alarmes ou trancava portões. As casas tinham quintais e árvores frutíferas, além, é claro, do milho que só de me lembrar da verdadeira pamonha que minha querida mãe fazia já me enche a boca de saliva. Ah, meu Deus!


Como não sentir lágrimas nos olhos ao lembrar a época em que, nas noites de verão, os vizinhos sentavam nas calçadas para contar histórias. As de fantasmas e monstros eram as que eu mais gostava. Morria de medo, mas gostava. As de lobisomem eram de arrepiar!


Como não sentir saudades da época em que as crianças brincavam de bolinhas de gude, taco, pega-pega? E a TV Tupi então? Marcou época e deixou saudades. As propagandas da “Bonita camisa Fernandinho”, “Não se esqueça da minha Caloi”, “Os passeios da barata pela casa..., D.D. Drin” e tantas outras que não saem das nossas memórias e até nos surpreendemos ao lembrar. É até engraçado e como dá saudades!


O tempo, ah, o tempo, implacável como sempre, passou, mas deixou memórias e lembranças; e dias atrás, andando pelos bairros de minha querida Taubaté, me vi na rua que me traz tantas lembranças e nostalgia. A casa onde morei ainda está lá, mas para minha surpresa e tristeza, o implacável progresso não perdoou e o campinho e o matagal desapareceram. E o que encontramos agora? Asfalto, casas e prédios. Onde está o bambuzal onde, tantas vezes, me deitei à sua sombra olhando para o céu e apreciando as folhas dançando ao sabor do vento e ouvindo a doce música que fazia ao passar pelas folhas. Ah, como era gostoso!


Adorava olhar para ele e sonhar. Meu Deus! Quantas vezes olhei e sonhei.

E agora eu me pergunto onde é que as crianças dali vão brincar? Onde é que elas vão sonhar? Se não tem campinho, matagal e bambuzal.

Ah... que saudades dos bons tempos!

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